Festival Med 2010
7º Festival Med

Mulatu Astatke

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25 de Junho de 2011
Autêntica lenda viva da música da Etiópia, o multi-instrumentista e compositor Mulatu Astatke foi um dos pioneiros da fusão da música tradicional da sua região-natal com sonoridades ocidentais, no seu caso o jazz e a música latino-americana. Dado a conhecer a uma larga audiência de apreciadores de world music pela extensa colecção “Éthiopiques”, da Buda Musique – em que aparece inúmeras vezes, seja em nome próprio seja como acompanhante de outros nomes importantes da música da Etiópia como Mahmoud Ahmed, Tlahoun Gèssèssè ou Alèmayèhu Eshèté – Mulatu Astakte criou um novo género musical e que, agora, serve de carimbo para muito do que se produz no seu país: o ethio-jazz (“jazz etíope” e em tempos também conhecido como o som da “Swinging Addis-Abeba”).

Nascido em 1943, na cidade de Jimma, Mulatu Astatke foi enviado pelos pais para o País de Gales, nos anos 50, a fim de estudar engenharia. Mas a sua paixão pela música falou mais alto e rapidamente trocou esse curso pelo de música, no Lindisfarne College. Prosseguiu os estudos musicais em duas prestigiadíssimas escolas: o Trinity College of Music, em Londres, Inglaterra, e no Berklee College of Music, em Boston. E foi aqui, nos Estados Unidos, que se desenvolveu a sua paixão pela música latino-americana e pelo jazz – não por acaso, anos mais tarde, Mulatu acompanharia o grande Duke Ellington na digressão que este fez na Etiópia. Exímio intérprete de vibrafone – que ainda hoje toca, assim como congas e outras percussões, órgão e vários teclados –, Astatke gravou dois discos nos Estados Unidos de música latino-americana – “Afro-Latin Soul, Volumes 1 & 2” – antes de ter voltado à Etiópia e ter recuperado as suas raízes, pessoais e musicais. Já nos anos 70, a sua sonoridade vincada, pessoal e única no mundo surge já em “Mulatu of Ethiopia” (gravado em Nova Iorque e editado em 1972) e “Yekatit Ethio-Jazz” (1974). Mas, cada vez mais isolada do mundo por uma feroz ditadura militar e pela miséria generalizada que esta provocou, a nova música etíope – nomeadamente a de Mulatu – passou depois muitos anos sem ser ouvida fora das suas fronteiras. Durante essa década, Astatke deixou de ensinar na universidade porque promovia “música imperialista” e dedicou-se a tocar ao vivo em muitas localidades do seu país e a realizar programas de rádio.

Mas tudo mudou quando a editora francesa Buda Musique começou a editar a série “Éthiopiques”, em que o coleccionador de discos de vinil Francis Falceto “põe a render” os seus discos comprados na Etiópia e Eritreia. Singles e Lps de cantores, músicos e grupos como Mahmoud Ahmed, Alèmayèhu Eshèté, Asnaketch Worku, Tilahun Gessesse, Orchestra Ethiopia, Alèmu Aga, Getachew Mekurya e, claro, Mulatu Astatke. Mercê de um culto cada vez maior – nomeadamente junto de grandes nomes do hip-hop, da música electrónica e do reggae como Nas, Quantic, K'naan, Damian Marley, Madlib ou Cut Chemist, que usaram samples da música de Astatke em temas seus –, Mulatu acabou por contribuir também com sete temas para a banda-sonora do filme “Broken Flowers – Flores Partidas”, de Jim Jarmusch (2005). E, na última década, colaborou, gravou e apresentou-se ao vivo com o grupo de jazz norte-americano Either/Orchestra e com o grupo inglês de jazz-funk Heliocentrics, para além de ter composto uma ópera, “The Yared Opera”, que reúne elementos clássicos, do jazz, de electrónica e de vários géneros musicais etíopes e é cantada em ge'ez, a língua litúrgica da Etiópia. Paralelamente, está empenhado na recolha de música e de vários elementos da tradição oral (musicais ou não) do seu país, que ficarão a cargo da Biblioteca do Congresso norte-americano, e na dinamização do seu clube em Addis-Abeba, o African Jazz Village. E é esta personagem única que o MED de Loulé 2011 se orgulha de receber na noite de 25 de Junho.

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