Festival Med 2010
7º Festival Med

Batida

Palco Matriz
24 de Junho de 2011
Play: um dos mais surpreendentes projectos musicais a surgir em Portugal – e com evidentes pontes lançadas a Luanda – foi o Batida, cujo álbum de estreia, “Dance Mwangolé” apanhou toda a gente de sobreaviso em 2009. Primeiro porque era um álbum de uma modernidade absoluta, onde o kuduro, o hip-hop, o funk carioca, o dancehall, o grime e o kwassa kwassa congolês se uniam para uma enorme festa dos sentidos. Segundo porque toda essa música nova – e todas essas novas músicas – tinham como base e inspiração primeira antigos temas angolanos dos anos 60 e 70, muitos repescados a partir dos arquivos da Valentim de Carvalho, como “Pé Descalço”, “Bazuka” ou “Nufeko Disole” e que DJ Mpula já passava, em versões alteradas, no seu programa na Rádio Fazuma de nome... “Batida”. E terceiro porque, a maior parte das vezes, aquela música fazia dançar mas também fazia pensar: só a mensagem contida nos samples de “Bazuka” era suficiente para se perceber que o Batida era, para além de um invulgar e revolucionário projecto musical, também um grupo com uma voz interventiva própria.

Rewind: a palavra “grupo” ajuda-nos a perceber que, apesar de Mpula (o alter-ego de Pedro Coquenão, músico, produtor, radialista, realizador de documentários como “É Dreda Ser Angolano” ou “Terrakota no Topo do Mundo – Diário da Viagem aos Himalaias”) ter estado sozinho na génese do Batida, cedo chamou para o seu lado outros músicos, produtores, DJs, MCs e letristas. “Dance Mwangolé” foi feito, entre Lisboa e Luanda, com a ajuda de muitos outros “camaradas de armas” como Beat Laden, Sacerdote, Ikonoklasta, Maskarado, Dama Ivone, Chailloy, Bob da Rage Sense, Toni Fazuma, o brasileiro DJ Chernobyl e a lenda da música angolana Carlos Burity. E, aliada à componente musical, ao vivo o Batida habituou-nos a um lado visual fortíssimo, com projecções em tempo real saídas da visão gráfica/videasta de Roda e Limão.

Forward: já em Maio de 2011, com edição fresquinha da Rádio Fazuma e da Akwaaba, o Batida disponibilizou gratuitamente na net três versões do mesmo tema, “Mamã Africana”. Baseado num sampler de um semba angolano dos anos 60, “Mamã Africana” tem em cada uma das versões uma voz diferente: as de Izé Teixeira (do grupo de hip-hop franco-cabo-verdiano MC Malcriado), Karlon (dos Nigga Poison) e Ikonoklasta (do Conjunto Ngonguenha e do Batida). O EP digital, lançado no dia 25 de Maio para celebrar o aniversário da criação da União Africana em 1963 e que é, paralelamente, uma homenagem às mulheres africanas. E, depois de muitos concertos em Portugal, Brasil, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Espanha e Suiça, o Batida estreia-se no MED de Loulé na noite de sexta-feira, dia 24 de Junho. Yumbala!

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