Festival Med 2010
7º Festival Med

GEORGE CLINTON & Parliament/Funkadelic

Palco Matriz
24 de Junho de 2011
O MED de Loulé orgulha-se de já ter trazido algumas das maiores lendas das músicas das Américas aos seus palcos: o brasileiro Tom Zé, o mestre do reggae jamaicano Jimmy Cliff ou o recentemente falecido papa da soul norte-americano Solomon Bourke. E este ano é a vez de outro dos maiores génios da música negra americana a aqui aterrar: George Clinton, o nome maior do funk, ao lado de James Brown. Mas se Brown era o lado espampanante, sexy e essencialmente festivo do funk, George Clinton – a solo ou com os seus seminais projectos Funkadelic e Parliament – representa o seu lado mais escuro, pulsante, experimental e interventivo, embora sem nunca deixar de ser... festivo. O título de um dos seus primeiros álbuns, “Free Your Mind and Your Ass Will Follow”, resume perfeitamente muito do espírito fundamental da sua música e das palavras que canta.

Nascido na Carolina do Norte, Estados Unidos, em 1941, George Clinton começou por apaixonar-se pelo doo-wop antes de ter formado o grupo The Parliaments – o germe dos futuros Parliament e Funkadelic – e ser compositor residente da editora Motown. Influenciado pelo rock, soul ou o nascente funk pelas mãos de James Brown ou Sly & The Family Stone – mas também pelo free-jazz de Miles Davis e pela sua ideologia irmã, a dos Panteras Negras de Malcolm X – Clinton prepara, no final dos anos 60, uma música em forma de revolução e uma revolução em forma de música. E é no dealbar dos anos 70 que todas essas ideias tomam forma. Com a ajuda fundamental do baixista e guitarrista Bootsy Collins, tanto os Parliament como os Funkadelic deixaram-nos nessa década algumas das mais memoráveis canções do funk e de toda a música: “One Nation Under a Groove”, “P-Funk (Wants To Get Funked Up)” – o P-Funk acabaria, aliás, por ser o sub-género musical criado por Clinton –, “Give Up The Funk (Tear The Roof Off The Sucker”), “Chocolate City” ou “Maggot Brain” são temas que, muito provavelmente, constarão do alinhamento do concerto no MED de George Clinton & Parliament Funkadelic.

Já sem as suas bandas de apoio habituais, nos anos 80 – e por entre 45 revoluções musicais por minuto –, George Clinton lança a solo vários álbuns e mais algumas canções emblemáticas como “Atomic Dog”, “Loopzilla”, “Nubian Nut” ou “Last Dance”, ao mesmo tempo que via o seu nome a ser mais e mais respeitado por novas vagas de músicos – tanto do lado do crescente hip-hop, cujos Djs nunca se cansaram de lhe sacar samples, como do lado de um fã de longa data como Prince (que lhe editou o álbum “The Cinderella Theory” no seu selo, Paisley Park) ou de um dos maiores nomes do rock do futuro: os Red Hot Chili Peppers, cujo segundo álbum, “Freaky Styley”, foi produzido por Clinton. A sua ligação ao hip-hop intensificou-se com a sua ligação a rappers de primeira dimensão como Dr. Dre, Tupac Shakur, Redman ou o duo Outkast, mas também com a banda britânica Primal Scream. E – para além de ter continuado a gravar e a compor – abraçou outra paixão, o cinema, tendo entrado em filmes como “Graffiti Bridge”, “House Party”, “PCU”, “Good Burger” ou “The Breaks”. E, já no novo século e no seu último álbum de estúdio, “George Clinton and The Gangsters of Love” surge rodeado de luminárias como os Red Hot Chili Peppers, Carlos Santana, Sly Stone, Kim Burrell ou o rapper RZA.

Com o seu nome dentro de uma estrela do Rock and Roll Hall of Fame desde 1997, e sem nada para provar a ninguém ao fim de 50 anos de carreira, é excelente que – apesar disso – George Clinton e os seus Parliament e Funkadelic ressuscitados tenham agora embarcado numa digressão mundial de 200 datas. E mais excelente ainda é uma delas ser em Loulé.



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