Festival Med 2010
7º Festival Med

AFROCUBISM

Palco Matriz
25 de Junho de 2011
Quando, em 1996, Ry Cooder e Nick Gold (da World Circuit Records) foram para Cuba gravar aquele que viria a ser o disco de maior sucesso de sempre da chamada “world music” -- "Buena Vista Social Club" --, a ideia original do álbum era juntar músicos cubanos com músicos do Mali, devido às históricas, óbvias e naturais pontes musicais entre Havana e o continente africano. Mas, como é sabido, isso não se concretizou por falta de concessão de vistos aos artistas africanos por eles convocados para o projecto. Mas o ano passado foi finalmente editado o primeiro álbum do Afrocubism, o projecto inicial que foi retomado por Nick Gold (sem Cooder) e desenvolvido à volta de uma verdadeira constelação de estrelas da música cubana e da África Ocidental, com Kasse Mady Diabaté, Lasana Diabaté, Toumani Diabaté, Bassekou Kouyate e Djelimady Tounkara a alinhar do lado do Mali e com Eliades Ochoa e o Grupo Patría a alinhar por Cuba. Não por acaso, o Afrocubism venceu o mais recente prémio da prestigiada revista britânica Songlines referente à melhor “colaboração inter-cultural”.
Aliás, basta atentar nos nomes envolvidos para se aferir o quilate deste projecto! Eliades Ochoa (guitarra e voz) é um dos nomes mais sonantes saídos da fornada Buena Vista Social Club e um mestre do son e da guaracha. Líder, desde 1978, do Quarteto Patría – uma verdadeira instituição da música cubana com cerca de 80 anos de existência – foi através dele que Compay Segundo chega ao alinhamento final do Buena Vista Social Club. Ao seu lado, no Afrocubism, estão outros membros do Quarteto Patría – ou Grupo Patría, quando em contexto mais alargado – como Jose Angel Martinez (contrabaixo), Jorge Maturell (percussões), Onsel Odit (guitarra acústica, coros) ou o seu filho Eglis Ochoa (percussões e coros).

E, do lado de lá do Atlântico, luminárias da música mandinga e não só como o mestre da kora Toumani Diabaté, o mesmo que, para além de uma notável carreira em nome próprio, assinou parcerias inolvidáveis com Ali Farka Touré, Ketama, Damon Albarn, Bjork, Salif Keita ou Taj Mahal; o reinventor do ngoni Bassekou Kouyaté (multi-premiado pelo seu álbum “Segu Blue”, membro da Symmetric Orchestra de Toumani Diabaté e colaborador de Ali Farka Touré, Taj Mahal ou Africa Express); o cantor Kasse Made Diabaté, um griot veterano que pertenceu à lendária Super Mandé e foi o vocalista principal do National Badema, grupo anteriormente conhecido por Las Maravillas de Mali e que se dedicava ao cruzamento de música mandinga com música cubana, tendo nos últimos anos gravado com muitos dos nomes já aqui referidos; o fabuloso guitarrista Djelimady Tounkara, que opassou por alguns dos principais grupos malianos como a Orchestre National ou a Rail Band (ao lado de Salif Keita e Mory Kanté), que ele lidera há muitos anos na sua designação Super Rail Band; o mágico do balafon Fode Lassana Diabaté, músico guineense que se mudou para o Mali e já tocou com gente como Salif Keita, Bassekou Kouyaté e Kasse Mady Diabaté, para além de pertencer à Symmetric Orchestra de Toumani Diabaté; e Baba Sissoko, um notável intérprete de tamani (tambor falante) que acompanhou durante doze anos Habib Koité e já se cruzou com artistas tão diversos quanto o Art Ensemble of Chicago, Angá Díaz, Dee Dee Bridgewater, Rokia Traoré ou AKA Moon. E tudo isto é de deixar toda a gente com água na boca!


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