BALKAN BRASS BATTLE
Palco Matriz
25 de Junho de 2011
Fanfare Ciocarlia vs. Boban & Marko Markovic Orchestra
Se um concerto da banda de metais romena Fanfare Ciocarlia já é uma festa pegada, um chavascal dançante, pulante e tripulariante e uma gorda pândega de excelente música cigana – ou até de versões inesperadas como o tema do James Bond de John Barry, o “Caravan” do Duke Ellington ou o “Born To Be Wild” dos Steppenwolf devidamente “aciganados” --, agora imagine-se que, no mesmo palco, ainda se lhe vão juntar os compadres sérvios da Boban & Marko Markovic Orchestra para uma autêntica “bakan brass battle”, quer dizer e não é difícil de perceber o conceito, uma “batalha de metais balcânicos”, com os dois grupos a interagir e a competir pelos favores do público. E imagine-se ainda o rico chavascal que dali vai sair! Ora, é isso mesmo que vai acontecer no MED de Loulé, na noite de 25 de Junho, quando estas duas bandas históricas do leste se encontrarem para uma batalha que não vai resultar em mortos ou feridos, mas resultará de certeza em muitos corpos cansados, embora felizes. Seguindo os princípios das “batalhas de bandas” dos países do Leste europeu – como o Guca Brass Festival, na Sérvia – ou até as similares de Nova Orleães, a pátria do jazz, esta Balkan Brass Battle – que junta 25 músicos em palco e já deu origem a um álbum ao vivo, homónimo -- promete ficar na história do MED.
A Fanfare Ciocarlia nasceu em 1996, na aldeia romena de Zece Prajini, quando o produtor alemão Henry Ernst convenceu os músicos desta aldeia que tocavam em casamentos, baptizados e funerais a juntar-se num projecto comum. Tendo, desde essa altura, actuado em mais de cinquenta países, a Fanfare Ciocarlia depressa se assumiu como uma das mais emblemáticas – senão a mais emblemática – bandas de metais ciganas. Incorporando na sua música a tradição romena, mas também a de outros povos à volta – Bulgária, Macedónia, Turquia, Itália, Sérvia, Grécia… -- e até música exterior que lhes chegou via rádio ou televisão, do jazz ao rock às bandas-sonoras de Hollywood e da indiana Bollywood ou até jingles publicitários (oiça-se, em Loulé, a sua versão de “Gummy Bear”!). Com uma igualmente notável carreira discográfica – em que se destaca o seu último álbum (se descontarmos a “batalha” com a Boban & Marko Markovich Orchestra) “Queens and Kings”, em que têm como convidados a nata da música cigana europeia (Esma Redzepova, Mitsou, Florentina Sandu, Ljiljana Butler, Kaloome, Dan Armeanca, Jony Iliev…) –, a Fanfare Ciocarlia ganhou ainda mais visibilidade quando a sua delirante versão de “Born To Be Wild” apareceu na banda-sonora do filme “Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan”.
Por sua vez, Boban Markovic é, provavelmente, o melhor trompetista cigano de todo o leste europeu e o líder daquela que é reconhecidamente a mais importante banda de metais sérvia – a Boban Markovic Orchestra que, desde a incorporação nas suas fileiras do seu filho Marko, ganhou também a designação deste. Reconhecido dentro e fora do seu país – na Sérvia, esta banda venceu numerosíssimos prémios, alguns deles no importantíssimo festival de Guca e, além-fronteiras com actuações em dezenas de países – a Boban & Marko Markovic Orchestra (desde que entrou no grupo, o filho Marko assumiu algumas das composições e arranjos) tem uma consistente discografia em nome próprio e muitos pontos altos na sua carreira, nomeadamente a presença no filme “Underground”, de Emir Kusturica, ou o seu cruzamento com o projecto do trompetista dos norte-americanos Klezmatics, Frank London, na Frank London’s Klezmer Brass All Stars. Agora, o encontro com a Fanfare Ciocarlia é mais um deles. E dos maiores.