MAGNIFICO
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23 of June of 2011
Conta a lenda que a carreira do cantor e compositor esloveno Robert Pesut – popularmente conhecido como Magnifico – começou no dia em que, era ele criança e ainda a Jugoslávia era um único país de regime socialista, o seu pai o levou para comprar sapatos. Mas, em vez de sapatos, o pai acabou por lhe comprar uma guitarra. E isso iria mudar para sempre a vida do jovem Robert Pesut que, a partir daí, iria desenvolver a sua personagem... Magnifico. E que personagem! Só para se ter uma pequena ideia do que dele poderemos esperar no MED de Loulé, diga-se que Magnifico, ao longo da sua carreira, já abordou – com humor mas também com coragem – matérias como a homofobia, o racismo, a corrupção e até a Mafia! Uma carreira que começou logo sob o signo da polémica, com uma versão do clássico tema do italiano Adriano Celentano “24.000 Bacci”, mas em que ele canta, literalmente, “Magnifico tem tomates; Magnifico dá-nos tesão”.
Já na capa do seu primeiro álbum, “From Heart To Heart” (1994), Magnifico surge mascarado, de forma algo kitsch, como o deus eslavo da fertilidade e das colheitas, Zeleni Jure, ostentado cachos de uvas pendurados no cinto. O álbum seguinte, “Who is a Cefur?”, serviu para quebrar mais alguns tabus: “cefur” é um termo depreciativo pelo qual são conhecidos os imigrantes pobres dos Balcãs e a edição do disco despoletou enormes manifestações anti-racistas. E no posterior “Sexy Boy” (1998) ele deu o passo definitivo: para além de ter surgido na capa vestido apenas com uns calções de banho a imitar pele de leopardo, lançou um novo e polémico refrão: “Magnifico é uma bicha”. A palavra "bicha" deixou então de ser um insulto e tornou-se o novo mantra das suas audiências de todas as idades, sexos e preferências sexuais.
O sexo, aliás, é presença constante em toda a obra de Magnifico, que tem uma enorme colecção de filmes pornográficos devido à sua obsessão adolescente por estrelas porno como Cicciolina ou Emanuelle. Mas ele justifica-se: “Não sei porque é que o sexo está tão presente. Juro que a minha mãe sempre me amou!”. Mas depois reconhece: “Certo, é verdade que sou viciado em orgasmos”. O seu lado provocador teve outro episódio memorável quando, no mesmo ano em que a Eslovénia entrou na Comunidade Europeia (2002), ele foi o cérebro por trás da canção que representou o seu país no Festival da Eurovisão, “Only Love (Samo Lijubezen)”, que foi interpretada por três travestis. Mas, apesar de ser um ícone da cultura gay, Magnifico é casado com a mulher que conheceu quando tinha apenas 18 anos e ela 17. Estão juntos há mais de vinte anos e Magnifico descreve-se a si próprio como “um pai exemplar e amante da sua mulher”.
É também um actor respeitado – participou em três longas-metragens eslovenas (“Stereotype”, que protagonizou, e ainda “Porno Film” e “Poker”) –, mas não é essa faceta dele que vamos conhecer em Loulé: é antes a sua música interventiva, corajosa, irónica que tem por base o turbo-folk dos países da ex-Jugoslávia (os fãs de Goran Bregovic e de Emir Kusturica que se preparem!) e a música tradicional dos Balcãs mas também géneros tão diferentes quanto o tecno, o funk, o R&B e até o twist ou a música latino-americana. A revista “RootsWorld”, em texto sobre o seu último álbum, “Magnification” (2010), descreve-o como uma mistura de Liberace, Madonna, Borat, Duane Eddy, Ennio Morricone, Clint Eastwood e mais alguns”.
E é capaz de não estar muito longe da verdade.