festival med 2008 | world music | 25 a 29 junho | Loulé

 




 
Destaques
Festival MED 2008 bate recorde de bilheteira
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  A 5ª edição foi a mais visitada de sempre, com mais de 22 mil pessoas ao longo dos cinco dias

Terminou no Domingo, 29 de Junho, a quinta edição do Festival MED, uma iniciativa da Câmara Municipal de Loulé, que acolheu mais de 22 mil pessoas, nos cinco dias do evento, de 25 a 29 de Junho.

Esta edição do evento que é já considerado um dos mais conceituados da world music, integrado no circuito europeu de festivais, superou assim todas as expectativas, quer ao nível de visitantes, quer de feedback sobre a excelência do cartaz musical.

De acordo com o presidente da câmara Municipal de Loulé, Seruca Emídio, “a organização está muito satisfeita com a adesão da população ao evento, especialmente porque sente que reforçou a confiança que os apreciadores das músicas do mundo depositam na direcção artística deste festival”.

A organização está já a preparar a próxima edição do Festival MED, a acontecer como sempre no mês de Junho, e que, segundo o autarca: “estamos a trabalhar para responder positivamente ao nível de exigência que atingimos, e conseguir voltar a surpreender o público”.
 

 
O Balanço do MED

 

1º Dia – Balkan Beat Box, a revelação

A world music continuou a ser um dos principais atractivos da festa. Na primeira noite do evento, ficou mais uma vez confirmado o interesse crescente por esta nova vaga da música que vai buscar características a culturas de vários cantos do mundo.


O momento alto da noite foi, sem dúvida, o concerto dos Balkan Beat Box, que levou à área ao Largo da Matriz um público muito animado, em consonância com toda a energia em palco do grupo israelita.

Música balcânica, klezmer, ska, hip-hop, música árabe, flamenco, tecno, trance, dub, este espectáculo foi uma mistura explosiva de sons que contagiou toda a assistência.

Numa toada mais calma, a espanhola La Shica abriu as hostes no Palco da Cerca. Considerada como uma das figuras de proa emergentes da renovação do flamenco, ao lado de nomes como Ojos de Brujo, Chambao ou El Bicho, a artista mostrou todas as suas qualidades não só como cantora mas também como bailarina de flamenco.

No âmbito dos cabeças-de-cartaz, a noite encerrou também em festa com os Caravan Palace, os franceses que misturam a electrónica com o jazz manouche, dando-lhe uma nova roupagem. Com a cantora Colotis Zoé a dar voz ao projecto, a banda é composta por vários elementos que compõem um espectáculo marcado também pelo efeito visual.

Quanto aos palcos secundários, o destaque de ontem foi para a algarvia Susana Travassos que trouxe fado e música de Elis Regina ao Palco da Bica, mais dois projectos da região - INP.A.CTO e Al-Driça, o duo de Madagáscar Kilema e DJ Joe Latino.

2º dia – Vibrações positivas com Jimmy Cliff

“Paz no Mundo!”, “Não queremos outro Vietname!”, “Fora Bush!”, “Por um mundo sem poluição e corrupção!” foram algumas das mensagens deixadas pelo jamaicano Jimmy Cliff durante o espectáculo que decorreu ontem, no Palco da Matriz, no âmbito do Festival MED 2008, e que levou a plateia ao rubro.

Esta lenda viva do reggae que eternizou temas como “I Can See Clearly Now” ou “Reggae Nights” atraiu um variado público, desde os jovens adeptos da world music aos fiéis seguidores da música de Cliff durante décadas, sobretudo muitos ingleses na casa dos 60 anos.

Os sons quentes da Jamaica, a performance dos seus músicos e bailarinos mas sobretudo as palavras de apelo a um mundo melhor, quer do ponto de vista ambiental mas também no que diz respeito aos problemas políticos, sociais e económicos, à Guerra no Iraque e no Sudão ou ao conflito israelo-árabe, contribuíram para todo o envolvimento dos espectadores.

Mas a par dos temas que marcaram a sua carreira, Jimmy Cliff também trouxe a Loulé alguns covers de músicas bem conhecidas como “Wild World”, de Cat Stevens, cantado em coro pela plateia e um dos pontos altos do espectáculo deste ícone do reggae.

Nesta noite passaram também pelo Palco da Cerca - outro dos pontos de animação musical do Festival - os sicilianos Roy Paci & Aretuska, num concerto onde houve lugar para a fusão do ska, reggae, pop, hip-hop, jazz, funk e também a tradicional música da Sicília, com muito animação à mistura.

Na mesma toada, Muchachito Bombo Infierno apresentaram no MED um dos projectos mais excitantes da actualidade em Espanha. Mas este concerto teve muito mais do que música. Durante mais de uma hora, o pintor Santos De Veracruz traduziu todas as emoções presentes na música dos Muchachito numa tela pintada em tempo real.

Já nos palcos secundários (Arco, Castelo e Bica), os destaques da noite foram para Fad’Nu, Batukalgarve e Velha Gaiteira.

3º dia – A forte presença de Solomon Burke

A noite arrancou em português com um projecto inovador de fado: os Deolinda. Numa altura em que estão a surgir vários grupos ou artistas a solo na nova vanguarda do fado, a verdade é que os Deolinda marcam a diferença pela sua originalidade, pelo humor que incutem nos seus temas e na forma como os apresentam em palco. Daí que em Loulé tenham tido uma prestação que agradou e surpreendeu espectadores portugueses para quem os Deolinda são ainda um pouco desconhecidos.

Mas um dos momentos mais esperados da quinta edição do MED era, sem dúvida, o espectáculo com o norte-americano Solomon Burke. Para além de vir até Loulé com o epíteto de “o Rei do Soul Rock”, todos os comentários sobre a sua poderosa imagem (270 quilos) e as suas performances criaram muitas expectativas no público. E na sexta-feira, 27 de Junho, pelas 22h45, milhares de pessoas estavam de olhos postos no Palco da Matriz.

Sentado num trono de rei Solomon Burke mostrou porque é chamado “o rei do rock&soul” e porque merece estar no Rock & Roll Hall of Fame.

Este foi um espectáculo completo, com o cantor a apresentar um vasto repertório de músicas que marcaram a sua carreira mas também de temas intemporais de grandes ícones como Elvis Presley.

Acompanhado por um coro composto pela sua filha mais nova (tem 14 filhas e sete filhos) e uma das muitas dezenas de netas, estas duas vozes também tiveram oportunidade de brilhar nesta noite. E ao longo de todo o espectáculo foram distribuindo pelo público doze dúzias de rosas vermelhas, um dos pedidos do cantor à organização do evento, e alguns colares que fazem parte da imagem de Burke.

O momento alto do concerto foi quando o “show man” pediu a colaboração de algumas bailarinas da assistência e nessa altura várias foram as voluntárias que subiram ao palco para participar no espectáculo.

Solomon Burke despediu-se de Loulé com emoção, referindo as origens lusas do seu avô e a alegria que teve ao pisar pela primeira vez Portugal. E prometeu voltar.

Mas nesta noite também passaram pelos palcos principais do Festival MED os belgas Zita Swoon, um grupo de rock alternativo, mas que abarca também as áreas dos blues, soul, funk, cabaret, folk e música cubana.

O terceiro dia do MED finalizou com os Zuco 103, um projecto que faz a fusão da música electrónica com o samba, bossa-nova e ritmos afro-cubanos. Foi um cheirinho a Brasil, trazido pela voz da cantora Lilian Viera, acompanhada por cinco músicos holandeses, e que trouxe a boa disposição ao Festival.

Nos palcos do Castelo, Bica e Arco passaram os Al-Bravia, Jazz Ta Parta e Freddy Locks.

4º dia – Amadou & Mariam, o concerto com mais espectadores

O quarto dia do Festival MED 2008 ficou marcado pelo recorde de entradas em todas as edições deste evento.

Tendo como uma das cabeças-de-cartaz Ana Moura uma das mais conceituadas fadistas da actualidade, o espectáculo desta ribatejana contou com uma assistência bastante numerosa, sobretudo muitos portugueses de uma faixa etária mais elevada, mas também um público estrangeiro que aprecia aquela que é a expressão por excelência da alma lusa.

Com uma voz possante e uma presença alegre e simpática, esta artista conhecida por muitos pela participação com os Rolling Stones trouxe a Loulé fados que são já bem conhecidos dos portugueses.
Nesta noite, a world music voltou a estar em alta, com uma actuação de grande nível do casal de invisuais do Mali, Amadou & Mariam.

Quer nas canções com raízes da África Ocidental, nos temas mais rock e pop ou nas belas baladas de amor (um amor que une os dois elementos da banda), o duo contagiou o público não só pela qualidade da música que apresentam mas pela cumplicidade que existe entre Amadou & Mariam.

Café Tacuba encerraram a noite, numa altura em que as forças já faltavam aos milhares de pessoas que “invadiram” o recinto neste dia inesquecível. Considerados como uma banda de referência no México, o rock mistura-se com a tradição musical deste país, nomeadamente música ranchera, quebradita, tejano ou mariachi, e foi com estas sonoridades que fechou o penúltimo dia do MED.

Biel Ballester Trio, Nanook, The Most Wanted e os espanhóis DJ Los Rumbers levaram a animação musical aos palcos secundários.

5º dia – MED encerrou em alta com os Tambours du Bronx

O MED encerrou com um cartaz marcado pela qualidade artística e pela actuação daquele que foi considerado por muitos como o melhor espectáculo desta edição: os Tambours du Bronx.

Os israelitas The Idan Raichel Project encarnaram na perfeição as sonoridades do Mediterrâneo que inspiram o Festival MED e, nesse sentido, foi talvez o grupo de todos os que passaram pela quinta edição do evento que melhor encaixaram neste conceito.

Considerado por muitos como um dos mais promissores nomes da world music, o projecto liderado pelo teclista Idan Raichel que se faz acompanhar por sete músicos e cantores, apresentou uma fusão de sonoridades que transportou o público para a universalidade da música. A tradição musical israelita, árabe, indiana e africana, bem como algumas incursões pelos sons dos Balcãs encheram o palco da Matriz.

Seguiu-se o flamenco com a espanhola Concha Buika. Numa toada calma e num ambiente intimista, esta artista com raízes na Guiné Equatorial, presenteou o público com várias sonoridades que se fundem com o flamenco, dando-lhe uma nova roupagem - bolero, soul, jazz e funk.

Já passava da meia-noite quando os Tambours du Bronx subiram ao palco para fazerem o encerramento do Festival MED 2008 e protagonizarem um dos momentos altos deste Festival.
Dezassete elementos em palco fizeram vibrar os milhares de visitantes que assistiram a um excelente espectáculo de percussão, no qual as imagens visuais e as coreografias criaram um ambiente transcendental, por vezes até mesmo aterrador, sobretudo com a performance dos vocalistas do grupo.

Da conjugação do rock industrial e heavy metal com a drum’n’bass e muitas outras influências, estes franceses mostraram a arte da percussão no seu melhor nível.

No cair do pano do Festival MED 2008 marcaram também presença nos palcos secundários os portugueses Fadobrado, Amar Guitarra, Moçoilas, Semente e DJ Joe Latino.

Esta quinta edição da iniciativa voltou a homenagear o que melhor se faz na world music. Do soul, ao jazz, do flamenco ao samba, do afro-blues ao fado, à bossa nova e ao hip hop, todos os ritmos tiveram um palco no Festival MED 2008.

 
 




   
 
 
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